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Involuntária transparência natalina

| 24 de dezembro de 2011
Todo ano, mesma lenga-lenga: por um lado, costumes importados do hemisfério norte, com alguns aspectos que estamos cansados de saber não fazer sentido em terras tropicais: neve, pinheirinho, Noel com suas roupas de frio, comidas pesadas e secas, e alguma outra coisa que não me recorde; aspectos estes muito mais assimilados que o Halloween/Dia das Bruxas (época em que os chatonildos pedem Curupira e mula sem cabeça no lugar de bruxas e vampiros). Por outro lado, pessoas conscientes do "verdadeiro" espírito de Natal, que seria o nascimento do Jesus, o Deus Menino, e todo sentimento transmitido pelo Filho de Deus em sua passagem pela terra: amor, compaixão, paz.

Geralmente, a consciência e o consumo não se excluem. Quem prega aquela pratica este. A manifestação mais comum, no entanto, é da face "consumista": por mais que haja um discurso de "conscientização", não se vê espaço para muitos rituais religiosos ou que remetam a Jesus Cristo — a não ser aquelas canções "cristãs" que inspiram mais melancolia do que paz e alegria  — como se observa a boa comida e distribuição de presentes. Há grupos familiares ou indivíduos que sinceramente apreciam a união ou reunião promovida no Natal, sentem verdadeiro afeto por seus entes queridos e uma magia especial em expressá-lo nesse evento, com um abraço e votos de Feliz Natal; outros estão constrangedoramente atrelados a uma convenção social. Convencional ou verdadeira, a "magia do Natal" é intimamente ligada às benesses materiais.

O "consumismo", apesar de tudo, demonstra ser mais transparente e honesto que o parâmetro  "consciente" do Natal. Não há muita diferença entre ambos, considerando-os embustes, cada qual a sua forma.

Engodo original: aquilo que muitos (infelizmente não todos) sabemos mesmo que por cima. A época que conhecemos como Natal tratara-se de uma adaptação e assimilação de costumes e rituais de culturas e religiões pagãs com fins de se conseguir mais adeptos para a religião cristã; uma das campanhas de marketing mais bem-sucedidas da História, perpetrada pela Igreja Católica, que, quase meio milênio após a passagem de Jesus, decerto já haveria se distanciado e muito dos valores originais transmitidos pelo Cristo. Há quem saiba desse bafafá religioso e afirme que não importa uma data simbólica, e sim o sentimento e reverência etc. a Jesus. Bem, importa se esta data *simbólica* fora escolhida de maneira nada besta, né?

Engodo moderno: o "nascimento de Jesus" ficou, na práxis natalina, em segundo plano, e toda a parafernália material entra em cena: decoração, presentes, comilança, personagens importados etc. Pensando-se na simplicidade original de Jesus, evidentemente os rituais materiais desproviram-se completamente de um fundamento cristão (não que o próprio cristianismo já tenha sido coerente com os fundamentos de Cristo, enfim). Por uma ironia histórica, os rituais realizados pela maioria das pessoas no Natal, ainda que se digam cristãs, aproximam-se muito mais do que é profano. É uma terceira lógica histórica que descende das lógicas pagã e cristã. E não adianta ser um cristão envergonhado que procure demonstrar conhecer o "verdadeiro" espírito natalino — neste caso, os cristãos que o conhecem mesmo seriam, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, que ignoram o Natal apesar de seguirem ao Cristo definido na Bíblia. Fique claro, não estou levantando aqui qual vertente cristã seria mais "correta" que outra, pois como agnóstico tenho sérios problemas com todas elas, foi apenas um exemplo factual.

Involuntariamente, o materialismo natalino deu um chapéu na manolagem papal de mais de um milênio atrás. Não se trata de uma retomada pagã, mas de uma outra redefinição para o Natal em si mesmo, a despeito de qualquer retórica cristã ou humanitária: época em que as pessoas comem bem e dão presentes entre si para celebrar a comilança e a alegria em ganhar presentes.
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Futebol com pezinho no MMA

| 17 de dezembro de 2011
Não faz muito tempo que aprecio as artes marciais mistas, ou mixed martial arts (MMA), essa evolução do vale-tudo (evolução positiva, de muito bom gosto, vale mencionar). Talvez por não ter TV paga — opção desde sempre aqui em casa, por desinteresse geral que não compen$aria contratar tal serviço. Aí temos que a realidade é moldada de acordo com o que a TV aberta (Globo stricto sensu) escolhe exibir ou não, então MMA non ecziste. Ok, a Rede TV! (sic) exibia, mas não era lá tão estimulante, tanto por sua produção e transmissão quanto por ser gravado. Afinal, temos o YouTube para assistir às coisas posteriormente a sua exibição ao vivo!

Mas a internet e redes sociais quebram as barreiras da seleção midiática, e você tem um e outro amigo fãzaço que sempre compartilha um pitaco ou um vídeo (no meu caso, Carlos Henrique, autor d'O CH!). O portal de seu servidor de e-mail também dedica mais e mais matérias, o Twitter bomba em noites de UFC, então uma hora a curiosidade distante cede espaço à apreciação efetiva. Foi assim, e, após uma e outra edição em que não me entusiasmei muito, o UFC Rio, transmitido ao vivo pela Rede TV!, me despertou o interesse real pelo esporte.

Esporte! É bom sublinhar. Lembro das críticas que ouvia quando criança a respeito do boxe, e, mais tarde, sobre o vale-tudo, algo que nem sabia do que se tratava, de que nem vira qualquer exibição. O próprio Professor Girafales já contribuía em podar qualquer interesse pueril nas lutas. Acredito que todos compartilhamos empaticamente da vergonha de Chaves e Quico quando do sermão do mestre abominando "esse esporte selvagem, violento, brutal", na fadada tentativa de Seu Madruga introduzi-los ao esporte.

De fato, o vale-tudo evoluiu como esporte, e o MMA se legitima cada vez mais como tal. Existe violência, porém, o desenvolvimento da modalidade a profissionalizou, instituiu mais limites e conceitos, valorizou a técnica conjugada à força, o que diferencia brigas de lutas. A violência foi submetida à civilização. Isso é esporte.

Qual o animal que faz miau e come rato? / Ah, o gato! / Que te chuta com o sapato!

No UFC Rio, Anderson "The Spider" Silva exibia o escudo do Corinthians, enquanto Antônio Rodrigo "Minotauro" Nogueira vestia a camisa, digo, os shorts do Internacional. A versão oficial é que o pequeno Anderson chegara atrasado a uma peneira do Curíntia e por essa razão lhe disseram: NUNCA SERÃO; ele, desanimado, viu logo ali uma academia de boxe, começou a treinar e deu no que deu, tornou-se o cara. Os conspiracionistas afirmam que ele sempre foi torcedor do Coritiba e toda a versão oficial é mentirosa. Falsificações históricas existem, aos montes e a todo momento — como no caso emblemático da foto de Norma Bengell, jovem, protestando contra a ditadura, "interpretada erroneamente" como sendo Dilma em seu blog da campanha de 2010. Claro, o erro foi de quem interpretou: só porque Norma estava em destaque num recorte de três fotos que mostravam Dilma criança, Norma no meio e Dilma ministra? Quem interpretou que a intenção era de que a moça do meio fosse a Dilma jovem é que se enganou, correto? PEEERRRRM, errado, a equipe de marketing quis ser malandra e disfarçar a modalidade escolhida por Dilma no protesto contra a ditadura  — ela não era de passeatas, mas da luta armada, via esta bem impopular, e tal atividade não tem registros fotográficos abertos que esbanjem mobilização popular.

Se você entendeu que a do meio também seria a Dilma, cometeu "interpretação equivocada".

Voltando ao Sport Club Corinthians Paulista, verdade ou não, a versão oficial de Spider corintiano procura agregar afeto ao patrocínio cru. O caso do Minotauro parece mais transparente, espero que não tenham inventado como um menino de Vitória da Conquista foi conhecer e torcer por um time de Porto Alegre. Sem regionalismos (bitch, please), é apenas uma questão de distância geográfica e não-alinhamento do time gaúcho ao eixo Rio-São Paulo, cujos clubes geralmente têm mais popularidade Brasil afora.

A indústria do futebol indica querer usufruir da popularidade emergente do MMA. Para um esporte que começa a ser bem visto socialmente agora, pode-se ponderar se seria esta uma boa convivência. O MMA provém de um histórico de rejeição social e midiática; numa fase em que tenha se desenvolvido profissionalmente, seria benéfico associar-se a um esporte que, deploravelmente, tem um amplo registro de violência de parte de sua torcida? A preocupação aqui é sobre até que ponto a violência nos estádios pode transmitir-se em violência nos ginásios, à medida que o fanatismo a clubes de futebol venha a se estender aos atletas de MMA patrocinados pelos respectivos clubes. Caso isso ocorra, decerto os questionamentos moralizantes recairão sobre o esporte de luta ("de luta" não no sentido delubiano da coisa, claro).

De um lado, um esporte que estipula limites, técnica e objetivos razoáveis à violência — que pode servir de estímulo a pessoas de todos os tipos para procurarem a prática de artes marciais visando a inúmeros benefícios, inclusive a disciplina no uso da força. De outro, um esporte cujo gosto popular exaltado ocasiona eventos de violência, maloqueiragem, vandalismo e brutalidade generalizada, sem uma repressão eficaz, tamanha a sua difusão e ação coletiva. Mas, numa pressão moralizante, os valores se inverteriam muito facilmente, conhecendo o modo torto como normalmente se pensa por aqui. A culpa poderá muito bem ser apontada a esse esporte "violento e selvagem". Lembremos que a venda de Counter-Strike foi proibida porque o jogo estimula a afronta à ordem e ao estado (o argumento do juiz foi algo do tipo, googlem); prefiro não comentar essa estupidez. Recordemos também que as professoras no jardim de infância e primeiras séries do Fundamental censuravam quando dois amigos simulavam movimentos de Street Fighter sem nem sequer tocar um no outro, enquanto os bullies agem livres e impunes em todos os níveis de ensino.

O futebol está com um pé no MMA, e esse não é o pé que desfere um chute plástico e leal de uma arte marcial. Pode também não vir a ser o pé na bola que dá o nome ao esporte — mas o pé com tênis Nike Shox, Oakley, entre outras grifes falsificadas ou não, que chuta e pisoteia covardemente alguém que cometeu a infração grave de usar a camisa de um outro time.

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As pequenas notáveis bikes dobráveis

| 15 de dezembro de 2011
Em abril de 2010, iniciei-me no ciclismo urbano. Muito por acaso, mas com o estímulo inicial da rede de bicicletas compartilhadas UseBike (atualmente Nossa Bike), presente na cidade de São Paulo. Por um período, utilizei o serviço de empréstimo de bicicletas até sentir vontade e necessidade de ter meu próprio veículo. Não abandonei a bicicleta desde então.

Da mesma forma que uma pessoa interessada em determinado modelo de carro acaba por ver mais unidades dele nas ruas, nunca havia reparado tanto em bicicletas na cidade como após começar a usá-la como meio de transporte. Das bicicletas tops e bem equipadas às mais simples e secas, sempre confiro a passagem de um ciclista ou de um bicicreteiro (distinção apenas jocosa, pedindo licença ao politicamente correto), reparando tanto nos modelos utilizados quanto na forma que o condutor se comporta nas vias urbanas. Sem dúvida, o tipo de bicicleta que mais me chamava a atenção, fosse nas ruas ou estacionada nos bicicletários, eram as bicicletas dobráveis.

"Ah, aquelas que desmontam?"

Correto, aquelas que desmontam, como qualquer outra bicicleta pode ser desmontada KEKEKEKE. Mas entendo a intenção de quem usa esse termo, ainda que o correto seja dobrar, não desmontar.

Há alguns meses, utilizo uma bicicleta dobrável, a Blitz City. A Blitz é uma empresa brasileira cuja fábrica fica em... Taiwan. BRINKS, é uma importadora. As bicicletas vêm de Taiwan e recebem a marca.
Blitz City.

Adquiri a Blitz City pois desejava uma dobrável como bicicleta secundária, já tendo uma MTB (mountain bike) principal. Portanto, não desejava gastar muito desde a aquisição. A City me pareceu a melhor opção, com o valor de R$ 575, contra novecentos e alguma coisa de sua superior imediata, a Blitz Alloy.

As características mais notáveis da Blitz City são seu quadro em aço carbono (erroneamente chamado de ferro pelos sabichões) e sua marcha única (popularmente chamada de "sem marcha"). Características notáveis não em sentido positivo, pois geralmente as dobráveis possuem quadro em alumínio e 6 ou 7 velocidades (marchas). Também tem-se aros com parede simples, manetes de plástico, cubos, raios e demais peças básicas. O valor, entretanto, condiz com a inferioridade do conjunto. Uma bicicleta dobrável beira normalmente os mil reais.

Hoje, enquanto voltava do serviço com ela, um taxista me chamou no trânsito, perguntando onde se encontrava esse tipo de bicicleta. Indiquei lojas virtuais e uma física, e informei o preço. Ele considerou caro, como qualquer outra pessoa a quem digo o valor mesmo dessa dobrável básica. No site da Caloi, que recentemente voltou ao mercado de bikes dobráveis, com seus lançamentos Caloi Urbe e Caloi Bend, chovem comentários de pessoas indignadas, por exemplo, com o valor de R$ 1500 da Urbe; entre argumentos razoáveis ou não, há quem proteste contra o valor por "uma bicicleta tão pequena". Porra, sendo mérito de uma bicicleta dobrável a praticidade tanto para o transporte quanto para sua própria mobilidade, não há como entender que o fator tamanho seja negativo quando uma bicicleta dessa é pequena!
Caloi Urbe, "bicicleta pequena". Não acho que uma Caloi Barra Forte dobrável seria muito útil.

Bicicletas dobráveis são charmosas e muito úteis. O estranhamento a princípio é com a direção, um tanto diferente e aparentemente instável, devido ao comprimento. Quanto mais alto o guidão for ajustado, mais haverá essa sensação, e é por esse motivo que mantenho meu guidão numa altura mais baixa, que me condiciona mais a uma postura de MTB do que de conforto. Há também a diferença no rendimento da pedalada por conta do aro de 20 polegadas, contra o padrão adulto de 26. Todo esse estranhamento é passageiro, a menos que você alterne com frequência o uso de uma dobrável com o de um modelo mais convencional. Após um período longo utilizando apenas a City, estranhei ao pedalar minha MTB, pois, inversamente, sua direção me parecia muito lenta na resposta. A altura do selim (a.k.a. banco) também pode ser um problema para os mais altos, pois os canotes, mesmo que bem longos, tem um limite de inserção (tracejado no metal) que precisa ser excedido para uma altura adequada para pessoas a partir dos 1,75m. Já que vai se exceder este limite, o importante é que o final do canote seja inserido abaixo da solda do quadro.

Logo acima, reforcei o "voltou" quando me referi à Caloi no mercado de bikes dobráveis. Considero importante este esclarecimento, pois tenho observado uma série de notas, notícias e até reviews da Urbe como a "primeira bicicleta dobrável da Caloi", um equívoco histórico, levando-se em conta o simpático trambolhinho chamado Berlineta - esta, sim, a primeira dobrável da Caloi, de 1967.

Caloi Berlineta. Esta, sim, de FERRO.
Vejo as bicicletas dobráveis como complementares, tal qual um netbook geralmente é complementar a um desktop ou a um notebook. É muito viável, no entanto, ter uma dobrável como bicicleta principal, seja para o lazer quanto para o transporte funcional diário. Já enfrentei a hora do rush do centro de São Paulo a Ermelino Matarazzo (Zona Leste) com a City, que se comportou bem, apesar do menor rendimento; a vantagem principal ficou por conta de sua menor largura, que facilita a passagem entre veículos automotores - também tenho a impressão de que, pelo visual exótico e delicado das dobráveis, estas também chamem mais atenção no trânsito, tornando os motoristas mais cuidadosos. Os itens de série de qualquer dobrável, bagageiro e para-lamas, são uma vantagem adicional, principalmente no que se refere a evitar a nhaca das ruas em dias de pista molhada.

Quanto à manutenção e upgrades, dobráveis os exigem tanto quanto qualquer outra bicicleta. No caso da City, troquei apenas os manetes de plástico por alumínio, por questão de segurança - manetes de plástico são intoleráveis. Também fiz uma substituição supostamente involutiva: tirei os pedais dobráveis originais e coloquei um par de pedais de plástico comuns que estavam sobrando de minha MTB. Não conheço pedais dobráveis superiores, mas os da City, certamente básicos, eram horríveis devido a um jogo (grosso modo, folga entre peças que resulta num efeito de "chacoalhar") interno impossível de eliminar, que ocasionava em bizarrices como o pedal girar sob o meu pé nas subidas.

Quando a bicicleta deixa de lhe carregar e passa a ser carregada por você, a praticidade também deve ser levada em conta. Dobráveis em aço carbono, devido ao maior peso deste material, não devem ser carregadas por muito tempo, com o risco de dores nas costas e nos braços, tanto por conta do peso em si quanto da falta de jeito e formas de se carregar uma dobrável. A "dobrabilidade" vai variar de um modelo a outro, evidentemente influenciando o preço. A City é um verdadeiro trambolhão quando dobrada, se for para ser carregada no braço.


Assisti a um review da Urbe no YouTube cujo avaliador levava esta bicicleta no Metrô, dobrada, afirmando que, nessa condição, esse tipo de bike pode ser levada em qualquer horário no Metrô, diferentemente da regra normal (permite bicicletas apenas após as 20h30 de segunda a sexta, a partir das 14h de sábado e o dia inteiro em domingos e feriados). Não é verdade. Ou o horário era muito tranquilo e o metroviário no bloqueio não se importou (eu mesmo já passei numa estação com a bicicleta dobrada, sem pedir) ou o funcionário deu mole. A regra do Metrô de São Paulo é que a bicicleta dobrada deve estar embalada. Na falta de uma bolsa para transporte (cara, em torno de R$ 200, que não acompanha as Blitz - ponto para a Urbe, cuja bolsa a acompanha), quando tenho que fazer isso, utilizo uma capa para bicicleta que comprei e nunca uso (porque, bem... meu gato gostou de brincar com a capa e perigava de derrubar a bicicleta a qual cobria).

O rumo inexorável à mobilidade, à sustentabilidade e à intermodalidade, no qual a bicicleta ganha cada vez mais destaque, só tende a popularizar as bicicletas dobráveis nos meios urbanos (só espero que não se popularizem muito também no gosto dos ladrões e vagabundos diversos). Por enquanto, é bem legal a sensação hype de se utilizar uma dessas. Totalmente recomendáveis, superiores a muitos modelos aro 26" tradicionais, para quem deseja ingressar na gratificante e promissora rotina da bicicleta como meio de transporte.

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Mudanças no blog

| 10 de dezembro de 2011
Ignorando lindamente o fato de este blog estar há um ano e meio sem atualizações, venho anunciar atualizações... em seu endereço e nome. O blog passará a se chamar Jornalemes.

No arquivo encontra-se, no segundo texto aqui publicado, a apresentação do blog, bem como de seu nome original, Ruder aus der Hand. Como recordo no referido texto, Jornalemes era o nome de um antigo e perdido blog meu, dos idos de 2005, nome que cogitei resgatar antes de optar por Ruder aus der Hand.

Agora, além de dispensar o nome germânico do blog ("leme à mão" é o significado) e readotar Jornalemes, também assinarei como Bruno Lemes, e não mais como Bruno Ruder. Dessa forma, perdia-se o sentido do endereço (brunoruder.blogspot.com), que então passa a ser, também, jornalemes.

A ideia do blog continua a mesma que o nome Ruder aus der Hand simbolizava. Já a prática eu espero que seja diferente — o que significa ser realmente utilizado. RISOS

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Review: A Teia do Homem-Aranha #1

| 8 de julho de 2010
Título novo e bimestral da Panini Comics, A Teia do Homem-Aranha contém histórias diversas relacionadas ao universo do aracnídeo. Em junho, foi lançada sua primeira edição, contendo sete histórias, resenhadas abaixo. Concluo com uma avaliação geral do título.



O Medo e o Sr. Parker (Spider-Man: Fear Itself #1)
História simplória com os rasos "ensinamentos" típicos das histórias do Aranha de ultimamente. Novamente, é a importância da tia May na vida de Peter que o salva, pois o Homem-Coisa só o "ajuda" a se livrar da mutação vegetal que ele próprio causa, ao tocar o Homem-Aranha durante um confronto na Flórida, quando o herói sente, e encara, seu medo — e o medo de Peter é... Deixar a tia May voltar do Projeto F.E.S.T.A. (centro comunitário onde ela atua como voluntária) sozinha tarde da noite. #facepalm

Mais uma vez, usam e abusam do lugar-comum "tia May é minha vida" nas histórias do Homem-Aranha. Eu, que sou leitor desde os anos 90 (com um considerável hiato de oito anos, a bem dizer), já estou há muito tempo enfastiado dessa ladainha, fonte onde praticamente todos os roteiristas que trabalham com o Homem-Aranha vão beber — imagino, pois, como deve ser para leitores ainda mais antigos que concordam que a personagem já deveria ter empacotado numa das muitas vezes em que foi... e voltou.

Aqueles que Nunca Voltam (o que não é o caso da tia May) (Amazing Spider-Man Family #2)
O que era a vida mainstream do Homem-Aranha tornou-se agora realidade alternativa, sobre a qual os roteiristas podem criar histórias despretensiosas: Peter e Mary Jane casados. Mais ainda, com uma filha ainda bebê, May, na qual, na verdade, a Marvel deu um sumiço na realidade mainstream há muito tempo, ao fim da Saga do Clone nos anos 90. Nessa realidade alternativa, tia May já é falecida — outra coisa que já deveria ter acontecido, e, afinal, já aconteceu umas tantas vezes, mas o editor sempre resolve que era pegadinha do Mallandro e ela volta com desculpas cada vez mais esfarrapadas, variando de atrizes-dublês a barganhas com o demo, mais recentemente.

Mais uma história fraca sobre como seria a vida de pai/herói de Peter, a partir de uma reflexão que MJ tem ao presenciar a execução da esposa de um assistente da promotoria pública, casal que também tinha uma neném, agora órfã de mãe.

O Soco (Amazing Spider-Man Family #3)
A história se passa no início da carreira do Homem-Aranha, pouco tempo depois do falecimento de seu tio, Ben. Tem a ver com Peter descobrindo a potência de sua força proporcional de aranha e sua responsabilidade sobre ela, seja contra bandidos comuns ou contra o bully Flash Thompson, quando em sua identidade civil. Enfim, apenas um conto em qualquer parte do tempo na vida do Homem-Aranha, que é a pegada da série ASMF.

Ponte e Túnel (Amazing Spider-Man Family #3)
História bem curta, apenas um encontro inusitado do Aranha com um bandido comum já conhecido dele e uma certa empatia bairrista no final. Não estando no contexto, não vejo graça em comparações e piadinhas envolvendo bairros de Nova Iorque.

Uma Questão de Confiança (Amazing Spider-Man Family #4)
Explora a "volta" de Harry Osborn à vida, num momento anterior ao seu retorno triunfal NOT no arco Um Novo Dia (Brand New Day), em que ele visita Peter momentos após de este ficar sabendo, pela manchete do Clarim Diário, que Harry estava de volta.

O de sempre e típico na série ASMF: flashbacks, relações humanas entre os personagens do contexto do Homem-Aranha... São muitas dúvidas de Peter com relação à veracidade do retorno de Harry, após dezenas de pegadinhas do Mallandro perpetradas por Norman Osborn através dos anos, e um voto de confiança, enfim.

Espetacular Homem que Anda a Pé (Amazing Spider-Man Family #4)
Outra história breve sobre Peter num dia em que teve de ajudar de certa forma a população, mas em traje civil, pois não queria chegar suado à entrevista de emprego dali a pouco.

O Breve Dia das Bruxas (Spider-Man: the Short Halloween #1)
Dois comediantes famosos dos EUA escrevem esta história, portanto não faltam personagens que fazem referência ao contexto deles. Talvez seja mais interessante para o público estadunidense ou para o pessoal que acompanhe o trabalho deles via TV a cabo. É mais uma história que brinca com a troca, e confusão consequente disso, entre o verdadeiro Homem-Aranha e um sujeito comum fantasiado.

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Visto que o Homem-Aranha é o maior caça-níquel da Marvel Comics, enxurradas de histórias one-shot, séries e minisséries são publicadas nos EUA. A nova edição brasileira é uma boa forma de contemplar tudo isso e, principalmente, desafogar o título principal, Homem-Aranha, de porcarias como a série Amazing Spider-Man Family. Nisso, cumpre bem o seu papel.

Será um título, porém, com pouco apelo colecionável, mais direcionado para quem gosta de qualquer história envolvendo o Homem-Aranha. Há, sem dúvida, muito mais coisas interessantes e importantes para se ler e para se inve$tir nas Histórias em Quadrinhos, ainda mais com o amadurecimento gradual da linha Panini Books (sobre a qual falarei em outra oportunidade), dentre outras editoras, no mercado editorial nacional. Às vezes, porém, imagino que a revista fará as vezes de uma Marvel Apresenta própria do Aranha, onde um spin-off aracnídeo importante possa ser publicado numa edição só.

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Pequena nota sobre desatualização

| 7 de julho de 2010
A rigor, "pequena nota" é algo redundante, já que, por definição, notas estão para ser breves — exceção feita é claro a autores clássicos da filosofia que ocupam parcela maior de algumas páginas com notas do que com o próprio texto; alívio para alguns, entusiastas da técnica steviewondering para notas de rodapé, que acabam por terminar rapidamente a leitura daquela página e seguir adiante na leitura enfadonha densa.

Entretanto, sinto em "pequena nota" a mesma função de escusa do vendedor ambulante de ônibus que introduz "Primeiramente boa tarde a todos desculpa tá incomodando a viagem de vocês mas esse é o meu trabalho" antes da oferta de seu produto. Ou seja, garanto que minha nota será uma nota, não um texto, serei breve. "Pequena nota".

O que já não cumpri com essa introdução explicativa, MAZEM FIM. É minha primeira vez.

Pequena nota sobre desatualização (aí sim, fomos surpreendidos novamente)

Realmente, os anos passam e eu não consigo ser disciplinado com a atualização de um blog. Retornei a blogar em dezembro último, e meu último texto data do... final de janeiro. Hoje senti vergonha ao olhar para meu blog e constatar que meu último texto foi sobre o #lingerieday ocorrido em janeiro, quando o próximo está às vésperas de acontecer, agora em julho!

Talvez seja uma situação cômoda pelo número ainda inexistente de leitores assíduos; talvez seja também comodismo porque é mais rápido e prático dar pitacos de 140 caracteres no Twitter (antes do advento do microblogging, acredito que o papel dos pitacos era cumprido pelo MSN); talvez seja uma inibição, mesmo que subconsciente, frente às patrulhas intelectuais e ideológicas diversas que rondam as interwebs. Talvez "talvez" seja um recurso retórico para expor de forma indireta que se trata de tudo isso. E mais um pouco.

Muitos temas já me passaram pela cabeça desde então, mas por esse mau hábito de não sentar e escrever, acabei não expondo minhas opiniões, e o timing acaba se perdendo. Decidi, pois, fazer jus à identidade do blog, imbuída em seu nome, Ruder aus der Hand (leme à mão, sem trocadilho com mastros, é bom pedir), de direcionar os assuntos conforme meu interesse e conhecimento, mas principalmente pelo primeiro, sem medo de ser feliz cometer n00bagens.

Vendo que essa nota já não é pequena, encerro já, apenas adiantando que meu próximo post, a ser publicado em breve, será um modesto review de HQ, tema sobre o qual nunca escrevi fora de comunidades específicas do orkut e que, lembro, um amigo vez ou outra diz que eu deveria escrever.

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Considerações sobre o #lingerieday

| 28 de janeiro de 2010
As meninës que participaram do #lingerieday foram objetos.

Objetos da sanha ideológica de determinadas feministas; de sua argumentação pretensamente libertária, que muito me parece mais uma expressão do coitadismo — doutrina dos que vêm ao socorro de coitados sem ser convidados; definição essa, de "coitado", feita geralmente pelos próprios coitadistas, por sinal.

O #lingerieday é um flash mob (algo como mobilização relâmpago) virtual já realizado no Twitter duas vezes — a primeira em julho de 2009 e a segunda ontem, dia 27 de janeiro. A ideia, bolada por um punhado de camaradas tuiteiros encabeçados por @gravz, consistia em que, em determinado dia, as mulheres usuárias do Twitter pusessem na imagem de seu avatar uma foto sua trajando lingerie, ou mesmo roupas íntimas mais usuais. Eu sequer estava no Twitter no primeiro #lingerieday, mas sei que a ideia acabou pegando, até acima da expectativa de seus idealizadores; muitas mulheres, afinal, participaram da brincadeira mesmo por fora do Twitter, por questão de maior privacidade, de não possuir um Twitter, etc.

Vieram as críticas. Cyntia Semíramis dissertou sobre a objetificação das mulheres que o #lingerieday representava, enquanto Ana Carolina Moreno afirmou que o evento não é coisa de outro mundo, mas do nosso mundo mesmo, um mundo onde as mulheres não são livres. Por exemplo.

O argumento elementar reside em uma suposta relação opressor-oprimido marcada entre, de um lado, os homens que bolaram o evento virtual, e do outro, as mulheres usuárias do Twitter. Eles mandavam, elas obedeciam, nesses termos. Eles a tratavam como objetos, determinando momento, circunstância e grau em que elas, amigas e seguidoras mulheres, deveriam exibir sua sensualidade.

Eu sinceramente não sei como esse delírio maledom (dominação masculina) pôde ser concebido. Esperar que mulheres que usam o Twitter estejam se sentindo forçadas, mandadas, coagidas a expor-se sensualmente em seu avatar é esperar delas a fragilidade e submissão feminina de séculos passados (com controvérsias, diga-se; afinal, quando Nietzsche disse "Vais ter com uma mulher? Não te esqueças do chicote!", omitiu apenas sobre nas mãos de quem ficaria o chicote, que o diga Lou Salomé). E mais, coagidas por humildes blogueiros! Ainda que com certa fama virtual, tratam-se apenas de homens de padrão médio, com barriga, com humor, típicos de qualquer homem heterossexual comum.

Mais uma vez, a visão de mundo de tolos ideológicos trespassa a própria realidade das coisas e a distorce de forma a satisfazer seus sentimentos e ideias, como até mesmo o Vitor Fasano fake foi capaz de filosofar no Twitter dele. A distorção não é só da realidade, mas também de conceitos, como apontado por Flavio Morgenstern em sua avaliação das críticas ao #lingerieday, que também não entendeu como uma pessoa subjugada como objeto pode sê-lo mesmo que agindo com autonomia. Todos nós brasileiros aprendemos em nossas aulas de grego na 4ª série que autonomia significa gestão própria, e em algum momento algum grego já deve ter parado para explicar longamente que um objeto não tem gestão própria. De todo modo, ficou a dica, valeu Ari.

O cenário que vejo, em minha modesta posição de usuário não-famoso do Twitter e apreciador de belos seios (fatalmente um entusiasta do #lingerieday, portanto) é este: homens de certa influência no Twitter e na blogosfera (esta ocasionando aquela, geralmente) propõem uma brinks para as mulheres. Parte de suas amigas e seguidoras (em jargão tuiteriano, pelamor!!) topam, outras não, mesmo achando divertida a mobilização. Algumas acabam entrando na onda. Mas, enfim, o resultado que se tem são mulheres mostrando-se em trajes mais sensuais, ora mais convencionais, ora mais ousados, em fotos simples de webcum (digo, webcam) em frente ao computador ou fotos em poses mais elaboradas e provocativas. Não se observa o retrocesso da emancipação feminina aí em momento algum, e devo dizer, muito pelo contrário. Nem eu nem qualquer homem que não uma besta quadrada pensamos que são todas umas vagaranhas, satisfazendo os nossos prazeres em mão-única (!), como deve ser. TRAGA MINHA CERVEJA, MULHER! *peida*

São sujeitos e sujeitos interagindo na internerd. É uma ideia que deu certo e repercutiu mais que o esperado. São mulheres livres e homens livres gozando da interatividade propiciada por um site de relacionamentos. A ideologia retrógada (essa sim) que impõe necessariamente uma relação de opressor e oprimido (cabendo na minha série "falácias do oprimido") vem colocar as mulheres em situação de vítimas do machismo, quando "machismo" aí é na verdade a simples apreciação virtual do corpo feminino, feita sem vulgaridade, mas sim com muito humor e reverência. Se isto fosse o machismo definido, a hipocrisia imperaria no feminismo.

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